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Consciência Negra | dados recentes e o que podemos fazer juntos

Consciência Negra | dados recentes e o que podemos fazer juntos

 

por Soraia Patrícia S. Morais e Percival Maricato-20/11/2025

Consciência Negra | dados recentes e o que podemos fazer juntos

No Dia da Consciência Negra temos que destacar a importância de enfrentar as desigualdades raciais que atravessam todos os espaços da vida social e econômica do país. Fizemos uma seleção de pesquisas que julgamos pertinente divulgar.

Dados recentes mostram disparidades alarmantes. O relatório Pele Alvo (2024) registra que pessoas negras são a grande maioria das vítimas de mortes por intervenção policial. No Rio de Janeiro, por exemplo, o risco de uma pessoa negra ser morta pela polícia é 4,5 vezes maior que o de uma pessoa branca. O fato é que a escravidão foi abolida no Brasil, após séculos de sua prática, sem que houvesse preocupação em dar aos negros condições de integração decente à vida social, econômica, educacional, cultural, habitacional etc. A discriminação continuou forte e só recentemente começaram a promulgar leis que preveem sua ascensão a cargos públicos, universidades e outras instituições que eram privilégios dos brancos.

No sistema prisional, levantamentos do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 apontam que aproximadamente 68% da população encarcerada no Brasil se declara preta ou parda. Também há evidências de que pessoas negras são maioria entre aquelas presas sem julgamento, o que revela desigualdade no acesso à justiça e persistência do encarceramento seletivo.

No cotidiano econômico, a pesquisa nacional Instituto DataRaça + Akatu (2025) mostra que 34,8% das pessoas negras relataram ter sofrido discriminação ao comprar produtos ou usar serviços no último ano, desde serem seguidas por seguranças até receberem ofertas de produtos mais baratos sem terem solicitado.

Na educação, levantamento do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (CEDRA) mostra avanço importante: a proporção de estudantes negros no ensino superior passou de níveis muito baixos em 2010, 10,7%, contra 19,8% de brancos. Em 2019, embora a quantidade de negros ainda fosse menor do que a de brancos (42,5%), já passava de um terço (38,2%). Apesar do progresso, a presença negra ainda é inferior à de pessoas brancas e não reflete plenamente a composição racial do país.

No mercado de trabalho, a população negra ainda enfrenta desigualdades profundas no mercado de trabalho. Trabalhadores negros ganham, em média, 40% menos que não negros e, mesmo no serviço público, recebem 21% a menos. Ao longo da carreira, a perda salarial ultrapassa R$ 1 milhão para quem tem ensino superior. Além disso, apenas 8% dos cargos de liderança são ocupados por pessoas negras, que também são maioria na informalidade e nas funções de menor rendimento, enquanto seguem sub-representadas nas melhores posições. Esses dados, reunidos pelo Dieese, evidenciam a persistência estrutural do racismo no mundo do trabalho e reforçam a urgência de políticas efetivas de inclusão e equidade.

 

O que podemos fazer: implementar e fortalecer ações afirmativas internas, revisar nossos processos de recrutamento e progressão, ampliar representatividade em comunicações e equipes, e apoiar políticas públicas de equidade. Convidamos clientes, parceiros e organizações da sociedade civil a dialogar conosco.

Juntos, poderemos transformar dados em políticas e ações concretas

 

Referências:

 

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